30/09/2012

É amor, próprio ou não?**


Como pode o amor próprio ficar debaixo da sola do sapato?
Você não tem amor próprio não?
Eu hein, desse mal não quero sofrer.
Prefiro me amar, e por você me apaixonar.
O sofrimento é menor.
Não que eu não esteja disposta a amar,  já amo, mas prefiro somente me apaixonar.

Doses lentas de amor ao longo do percurso, se for valer a pena, mas que fique bem claro, que eu me amo mais do que tudo,e por você não quero sofrer.
Não, não permito que me faças sofrer.
Permito que me adore, me anime, que se apaixone perdidamente por mim.
Não te farei sofrer, se preciso for, o máximo que irei fazer,  será te fazer me esquecer.
Adormeça pensando, e amanheça longe de mim.

Ah, como pode ser tão bobo e contraditório o coração?
Como pode a gente se entregar, assim sem noção?
Alguém sabe a explicação?
Só não venha me dizer que é, amor!





Créditos:
Texto: Gisa Dias
Foto:Gisa Dias - sala de espera Agência Bravo!POA

17/09/2012

A hora de sair do ninho**

 
Todo dia um novo dia.
Todo dia pessoas especias ou não em nossas vidas.
Todo dia é um dia de sol, ou um dia de chuva.
Todo dia o passarinho sai do ninho e voa, vai bater suas asinhas pelos ares.
Todo dia levantamos, no mesmo horário, com os mesmos hábitos, com a mesma obrigação, disposição ou não.
 
Voa passarinha, segue feliz, parte da sua jornada e missão foi concluída.
Seus filhotes estão prontos, já sabem voar.
 
Voa para a felicidade, enxuga a lágrima, você já sabe voar.
Deixa este ninho, o que é seu, que você construiu vai se perpetuar...
Voa voa, nossos caminhos sempre vão se cruzar.
Voa, começa tudo novo, sem medo, sem desespero.
 
Encontra um novo ninho, e saiba criar, ensina amar, ensina outros novos bichinhos a voar.
 
Com carinho, para Ana.
 
 
Créditos:
Texto: Gisa
Foto: Gisa/ Antônio Prado - RS
Eu não sei escrever poesia, mas a Ana esta noite me inspirou, e é especialmente para ela que eu dedico meu primeiro texto poético.
Obrigada por me ensinar a bater as asas, a confiar no meu voo.

 

13/09/2012

- Pai quero voar, me dá asas de presente?*

 
Era uma criança muito curiosa, e não entendia muito bem como as coisas funcionavam.
Não gostava do nome, incomodava o pai suplicando para ter nome de desenho animado.
- Pai, troca meu nome?
- Como você que se chamar minha filha?
- She-Ra.
- Não pode,  é nome de desenho animado, e você já tem um nome.
-Mas eu quero pai, não gosto do meu nome.
- Não tem como, quando você for adulta vai ver que não tem como trocar de nome.
- Quem escolheu meu nome?
- Eu, filha.
- Dá onde saiu meu nome?
 
Desistia.
Mas sempre que podia implorava para trocar de nome, ou perguntava a história da escolha do seu nome. E sempre era uma história diferente.
Ela estranhava.
Era possuidora de uma imaginação em tanto.
Fazia do saco de café, bolsa.
O fio de lã, virava varal para as roupas de suas bonecas.
Toda horta era destruida quando inventava de brincar de cazinha e cozinhar para as amigas.
Bebia o xarope de groselha puro, e ficava com os dentes, a boca e a roupa, manchados.
Sonhava.
Sempre sonhadora, desde pequena.
 
- Pai, posso voar?
- Não, voa quem tem asas, você não tem asas, tem braços.
- Mas eu quero voar pai, posso construir uma asa?
- Não se constroem asas, ou você é um pássaro e nasce com ou você é gente e nasce sem.
- Pai quero voar, me dá asas de presente?
 
Tudo bem, trocar de nome não ia ser possível, mas e as asas?
 
30 anos depois, ela me contou, que desde sempre foi possuidora de asas, que sempre voou alto, na imaginação dos problemas e dilemas da vida real.
Que estas asas suportaram peso além do que poderiam suportar, mas sempre a mantiveram no ar.
Nas alturas.
Queria nome de heroína, e asas para voar, garota audaciosa essa hein? Pensei eu.
Nada, certa está ela em viver no ar, voando atrás de seus sonhos, batendo as asas que seu pai lhe deu no dia em que a vida apresentou.
 
Voa menina, voa para o mais longe que puder e o mais alto que alcançar, voa em busca daquilo que sempre soube que fosse alcançar.
 
Voa com as asas que te pai te deu, e que um dia você o protegeu.
 



Sem parar.





Créditos
Texto: Gisa Dias
Foto: Michele Link - Arroio do Meio-RS/Morro Gaúcho

12/09/2012

O som do silêncio*

video

Esse som, este caminho, tudo fez parte de um tempo onde quem teve que curar, curou, e oque eu puder aprender de melhor com esse conto, eu aprendi.
Aprendi a amar sem tamanho, ser feliz sem limites, a sorrir para qualquer um.

Ouça o som, dos passos, dos pássaros, e das pedras.
Ouça o silêncio de qualquer lugar, apenas, caminhe, respire, e ouça.
Ouça a liberdade, sua alma gritando, seu desejo pulsando.

Simplesmente ouça.









Créditos:
Texto: Gisa Dias
Filmagem: Hospital Psiquiátrico São Pedro/ Gisa via blackberry

03/09/2012

O gosto*

 
O que tu quer da vida?
Nada, a gente não pode querer nada da vida, ela é quem quer.
Ela vai te mostrar o quanto é bom abrir os olhos de manhã com a claridade do sol, ofuscando a visão, te fazendo lacrimejar.
Quer te  fazer beber porres homéricos ,te fazer morrer de rir também, e te fazer mandar todos a merda, aos berros, aos prantos se preciso for.
Vai te fazer sorrir com olhos para pedir desculpas.
E todos eles vão te desculpar.
A vida te quer bem, acredite.
É bem, assim, ela é assim, bem de lua, lua bem cheia, toda misteriosa, toda se querendo, desejando que tu sinta o gosto bom novamente, derreta-se, delicie-se.
Tu quer?
Ela também provavelmente quer que tu seja inconsequente, que desafie tudo e todos.
Truco!
A vida, ah, ela quer tudo e pode.
Onde já se viu, modificar o curso, o que foi traçado?
Ela só tenta lhe fazer feliz, e inconscientemente a gente não percebe.
Não percebe tu, que ela quer te fazer sofrer agora para te afastar disso, e ser capaz de te levar para a felicidade?
Não, não é ingrata e tão pouco brinca contigo, com a gente.
Ela só quer te fazer sentir o gosto bom da vida.
Te fazer sentir o gosto.
Sentir o gosto bom novamente.

Sentir a vida, pulsar, cair, levantar.
Degustar o pranto e apreciar o riso.
Sinta o gosto, ela quer.
Sinta por mim.
 
Sinto,
 
 
 
Créditos:
Texto Gisa Dias
Foto: Sidy Kuhn