16/02/2013

Bastidores*

 

Bastidores

Linda como as flores que colorem as estações
Espalha suas lágrimas de seda no palco de espinhos
Incendeia as almas venenosas que vieram a amaldiçoar
Seus pés quase tortos fazem todos se deslumbrar
Com a clemência que invade teu corpo e a faz mais bela
Como podem dizer que é feliz?
Como ousam aplaudir a lástima de uma bailarina?
Os bastidores revelam uma dança nascida da pureza
E amaldiçoada pelos olhos da orgia alheia.

Acompanhada da canção e de um maestro
Vive de espelhos quebrados e sapatilhas manchadas de sangue
Com seu sorriso de graça e o teu olhar incolor
Ela volta todos os dias ao teatro para alimentar a tua dor.
Dizem que é só uma bailarina que encanta os moços
Mas na verdade é uma insígnia abençoando o teu corpo.

Ao fim da música chora como se houvesse perdido a vida
E implora para que a deixem dançar eternamente
Todos querendo beber da nascente de inocência
E se aproveitar da maldição que há de quem vive da clemência
O mundo de mentira e palavras vazias a apavora
Sempre volta a uma caixa de cristal majestosa e de brilho incondicional
Onde a música não tem fim e sua dança é honrosa.
Fechem as cortinas e voltem pra suas vidas de selvagens
Não existe bailarina que o perdoe o mal feito por meia dúzia de miseráveis.
 
 
Créditos:
 
Foto: Natália Dias
Texto: Natália Dias

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