10/07/2012

Marias e Antônios do Prado...*





Um final de semana longe de toda correia da vida na capital foi o suficiente para mil constatações.
Mas destas mil, algumas eu conto... outras eu incentivo, algumas vamos descobrir juntos...
Foi lá no Prado, Antônio Prado, que eu senti algo que gostaria que todos pudessem sentir.
Sentir a lágrima escorrer de emoção, por se redescobrir e descobrir uma realidade totalmente possível e linda...
uma vontade grande de chorar vendo tanta beleza reunida.
Confesso que pensei em me sentir arrependida por ter ido tão longe, por estar tão longe de tudo, afastada de tudo que eu ACHAVA que fosse essêncial.

Conhecer um batalhão de jovens como eu, mais novos do que eu,  muitos ou a maioria deles, de lá onde literalmente o vento faz a curva, onde Deus certamente perdeu a noção da beleza, eu fiz a minha 1ª constatação: viver na alegria de ser e na simplicidade é possível.

Porque em poucos minutos eu vi, que não é necessário muito para ser feliz naquele local.
O contentamento ao tão pouco oferecido era lindo de ver.
Ao tão pouco que eu pensava ser pouco, na minha inocente ignorância.
A forma carinhosa de acolher pessoas estranhas, e trocar ideias como se conhecessem a anos me fascinou, acontece aqui também, mas lá foi diferente, parecia mais sincero e pura a vontade de se importar com os visitantes, nada superficial, tudo muito aconchegante.
A beleza das ruas, os casarões antigos, tudo conspira e inspira felicidade naquele lugarzinho que parece ser no meio do NADA.
No meio do nada, estas pessoas, vivem intensamente e recebem intensamente os que de fora vem desbravar suas terras.
Desbravamos terras, descobrimos quedas d'água, lagos, riachos, tudo novo e lindo aos "nossos olhos" e rotineiro e corriqueiro para os nativos.
Descobri que até mesmo a chuva fina de sábado sobre o fogo da fogueira era motivo de exaltação, encantada estava e ficava apreciando a intensidade do fogo em plena fina garoa, que durou até o amanhecer do dia seguinte.
O fogo e o calor humano são inexplicáveis.
No meio do nada, dormimos todos juntos, sob o calor da lareira.
Sob os olhares atentos dos anfitriões adormecemos e amanhecemos arrancando risos de seus olhares.
Sim, porque sorrir com os olhos parece tão mais belo, tão mais sincero, eu prefiro...
Impressionada voltei eu do meio do nada, com tanta beleza impregnada na mente, com vontade de ficar e nunca mais voltar e fugir de lá ao mesmo tempo.
Porque machuca saber que para ser feliz não é preciso tanto, e a gente vive numa constante busca, que parece nada.
Felizes são as Marias e os Antonios do Prado, que tem tudo no nada e vivem a felicidade plena da simplicidade que nos falta.

Obrigada, foi tudo simplesmente lindo e perfeito.
com carinho,
Gisa


Créditos:
texto: Gisa Dias
Fotos: Camila Braga

Um comentário:

faby C: disse...

Eu acompanho teu blog a algum tempo, e em particular eu adorooo esse teu texto. Foi um prazer te conhecer! Tu é demais e tem o dom das palavras, sucesso gata!